3 min | 08/07/2026 | Matéria
O setor de mineração tem avançado em direção a um futuro mais inclusivo e diverso. Um exemplo marcante desse movimento é a parceria entre a CSN Mineração e a Sotreq, que resultou na formação da primeira turma 100% feminina de operadoras de máquinas pesadas. A iniciativa reafirma o compromisso das duas empresas com a promoção de oportunidades iguais e com o desenvolvimento de soluções inovadoras para capacitação.
Na CSN Mineração já existe o Capacitar Mulher, um programa de ingresso voltado à formação de mulheres para atuarem nas operações da empresa. Contudo, a CSN identificou uma oportunidade de aprimorar o desenvolvimento dessas profissionais: fortalecer competências específicas para a operação de equipamentos pesados, promovendo seu crescimento na carreira. A partir dessa necessidade, a empresa buscou a Sotreq, e juntas elaboraram uma estratégia para atender a essa demanda.
O projeto-piloto, batizado de Supply Tech, busca não apenas cumprir as metas de diversidade do grupo CSN, mas também abrir novas portas para o talento feminino em um setor tradicionalmente dominado por homens.
A CSN Mineração estabeleceu metas públicas de diversidade, incluindo a de dobrar o número de mulheres em seu quadro de funcionários até 2025. No entanto, o desafio não estava apenas em atrair mulheres para a companhia, mas em criar condições para que elas pudessem crescer e consolidar suas carreiras em áreas operacionais.
“Percebemos que muitas mulheres não tinham a mesma curva de aprendizado que os homens, por falta de formações específicas ou certificações técnicas. E queríamos dar a elas uma oportunidade real de crescimento”, explica Larissa Garbelini, responsável por diversidade, equidade e inclusão do grupo CSN.
Foi a partir desse diagnóstico que o Supply Tech foi desenvolvido e aplicado, ampliando o acesso das colaboradoras a funções de maior complexidade, entre elas, a operação de máquinas pesadas.
Parceira de longa data da CSN, a Sotreq foi convidada pelo time de Suprimentos a apresentar soluções de capacitação já aplicadas no mercado. O time da Sotreq estruturou o treinamento a partir de seu portfólio de cursos técnicos de operação e manutenção de equipamentos Caterpillar, que combinam teoria e prática em ambientes reais de operação.
Para a turma feminina da CSN, a Sotreq adaptou treinamentos que abrangeram três equipamentos essenciais no dia a dia da mineração:
No total, foram 160 horas de capacitação para 21 mulheres – 3 na motoniveladora, 12 na escavadeira hidráulica e 6 na carregadeira. As etapas da formação — compostas de aulas teóricas e práticas — aconteceram no centro de treinamento da CSN, na Mina Casa de Pedra, em Congonhas-MG.
“O treinamento foi o mesmo que oferecemos a qualquer turma mista. A diferença foi o ineditismo de ser a primeira turma 100% feminina. Para nós, não há distinção: o foco está na qualidade e na segurança da formação”, afirma Pedro Tavares, Consultor Comercial da Sotreq.

As participantes demonstraram entusiasmo desde o primeiro contato com as máquinas. Para muitas, foi a primeira vez operando equipamentos de grande porte, o que tornou o processo ainda mais desafiador e emocionante.
Segundo Rafael Neiva, gerente de Beneficiamento de Minério, o projeto de capacitação das operadoras, desenvolvido em parceria com o fornecedor, gerou impactos relevantes no desempenho e no engajamento do time. Ele ressalta que a iniciativa foi decisiva para fortalecer a presença feminina na operação e impulsionar um marco inédito na companhia. “Além de elevar resultados e performance, esse movimento reforçou o protagonismo das mulheres e nos motivou a realizar o primeiro carregamento ferroviário com uma equipe formada exclusivamente por mulheres na operação de carregadeiras”, destaca, ao lembrar que o feito simboliza um avanço concreto em inclusão, diversidade e transformação cultural na indústria da mineração.
Instrutor da Sotreq, Éder Diana também destacou a experiência: “Foi a primeira vez que treinei só mulheres. Elas se saíram muito bem e ficaram emocionadas. Para mim, foi enriquecedor.”
Embora o projeto ainda seja considerado um pontapé inicial, já trouxe frutos concretos: algumas colaboradoras treinadas foram promovidas, e a experiência reforçou a importância de estruturar programas mais longos e contínuos para formar operadoras plenas.
Ana Moretti, coordenadora de Suprimentos e representante da área neste projeto relata que foi gratificante ver este piloto sair do papel e já ter resultados tão efetivos, “estamos ansiosos para que novas parcerias sejam feitas com nossos fornecedores para termos um alcance ainda maior”.
Além do impacto social, o projeto também estreitou a relação institucional entre CSN e Sotreq. Segundo Pedro Tavares, da Sotreq, depois dessa iniciativa, a relação com a CSN ficou mais forte. Uma vez que o comprometimento com equidade e desenvolvimento é mútuo, a confiança e a proximidade aumentam.
A turma de operadoras 100% feminina simboliza não apenas o avanço em diversidade, mas também a capacidade da Sotreq de customizar soluções de treinamento conforme as necessidades de cada cliente, garantindo segurança, eficiência e desenvolvimento humano.
Ao unir expertise técnica e compromisso social, a parceria entre CSN e Sotreq aponta para um futuro em que inclusão e inovação caminham lado a lado no setor de mineração.